sábado, 12 de maio de 2018

As Sete linhas da Umbanda


Por Manoel Lopes

Cantamos e ouvimos falar muito sobre as sete linhas da umbanda, mas poucas pessoas compreendem e conhecem a origem histórica das sete linhas da umbanda.
Neste artigo iremos nos aprofundar no estudo da origem das sete linhas da umbanda e também apresentaremos a visão doutrinária do Núcleo Mata Verde sobre as sete linhas.
Sabemos que a Umbanda, como um culto organizado, começou em Niterói/RJ no início do século XX, tendo como data oficial da primeira reunião o dia 16 de novembro de 1908.
Todos os documentos históricos indicam que o jovem Zélio de Moraes foi o responsável pelo início da umbanda.


Zélio de Moraes
Zélio fundou a primeira Tenda de Umbanda do Brasil, a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, fundou as primeiras sete Tendas de Umbanda que teriam a responsabilidade de divulgar a ampliar a religião em solo brasileiro; criou o primeiro jornal de umbanda, a primeira federação de umbanda e também foi um dos organizadores do primeiro congresso de umbanda realizado em 1941.
Em sua vida teve oportunidade de divulgar a umbanda de norte a sul do nosso país.
Neste artigo não vamos entrar em maiores detalhes sobre a origem da umbanda, mas todas as informações acima são fundamentadas em livros, atas, estatutos registrados em cartório, gravações de vídeo e áudio.
A origem da umbanda com Zélio de Moares, não é somente um mito, um “achismo”, como alguns afirmam, mas fruto de pesquisa de muitos estudiosos, escritores, pesquisadores e umbandistas sérios.
Em outra oportunidade estaremos estudando com maiores detalhes, a origem da umbanda, apresentando documentos e registros históricos, caso haja interesse poderão fazer o curso a distância (EAD) oferecido pelo Núcleo Mata Verde no site www.mataverde.org
Sabemos que a umbanda teve seu início em 1908, mas, e as sete linhas da umbanda?
Elas sempre existiram?
Quem elaborou as sete linhas da umbanda, foram os Orixás, os espíritos, os dirigentes umbandistas, os escritores?
Qual foi a primeira apresentação (codificação) das sete linhas da umbanda?
Quais as visões existentes?
Quais são as sete linhas da umbanda segundo a doutrina dos Sete Reinos Sagrados, ensinada pelo Caboclo Mata Verde e seguida no Núcleo Mata Verde?
Estas são algumas das perguntas e esclarecimentos que pretendemos desenvolver neste texto doutrinário.

O Início

Sabemos que foi o Caboclo das Sete Encruzilhadas o espírito responsável pela organização da umbanda, orientando logo na primeira reunião como seria esta nova religião, como seriam os trabalhos espirituais, o uniforme utilizado, o horário de início e término, os estudos etc.
Era o Caboclo que orientava e dava todas as determinações, por isso era chamado pelos integrantes da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade de CHEFE.
Além do Caboclo das Sete Encruzilhadas, logo na primeira reunião se manifestou outro espírito chamado Pai Antônio, um Preto Velho.
Estes dois espíritos foram os iniciadores do que conhecemos hoje como religião de umbanda, um CABOCLO e um PRETO VELHO.
Somente em 1913 (passados cinco anos do inicio da religião) é que Zélio de Moraes começa a trabalhar com a entidade conhecida como Orixá Mallet.
 É importante deixar registrado que até esta data (conforme gravação de áudio do próprio Zélio de Moraes) o nome da nova religião era ALABANDA.
Segundo Zélio de Moraes nome original da religião foi Alabanda, onde Alá é uma palavra árabe que significa “Deus” e banda significando “do lado de”.
Logo, Alabanda significa do lado de Deus. Esse nome foi dado pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, como uma homenagem ao Orixá Mallet, que era malaio e muçulmano (Alá é a forma como os muçulmanos chamam Deus).
Portanto até esta data não se falava em “SETE LINHAS DA UMBANDA”, também não existia na umbanda crianças, exus, pomba gira, ciganos, baianos e outras linhas conhecidas atualmente.

Qual foi a primeira Sete Linhas da Umbanda?



Leal de Souza

Somente em 1925 (passados dezessete anos do início da umbanda) é que o senhor Leal de Souza em entrevista a um jornal do Paraná, chamado “Mundo Espírita” apresenta pela primeira vez uma codificação das Sete Linhas da Umbanda.
Leal de Souza era escritor, jornalista e redator chefe do jornal “A Noite” do Rio de Janeiro; foi um participante ativo e dedicado, durante 10 anos, da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade e amigo de Zélio de Moraes.
Afastou-se da Tenda Nossa Senhora da Piedade, sob as ordens do Caboclo das Sete Encruzilhadas, para fundar a Tenda Nossa Senhora da Conceição.
Em 1932 é convidado para escrever uma série de artigos sobre Espiritismo e Umbanda e novamente apresenta as Sete Linhas da Umbanda.
Em 1933 publica o primeiro livro a falar sobre a umbanda: “O Espiritismo, a Magia e as Sete

Linhas da Umbanda”.
Segundo Leal de Souza, que vivia a umbanda em sua origem, as Sete Linhas da Umbanda eram:
1) Oxalá
2) Ogum
3) Oxossi
4) Xangô
5) Iansã
6) Iemanjá
7) As Almas

Em 1941 (passados 33 anos da fundação da umbanda) é realizado no Rio de Janeiro o Primeiro Congresso Brasileira de Umbanda e neste congresso é ratificado as sete linhas da umbanda.
As linhas são chamadas de “Pontos da Linha branca de umbanda” ou graus de iniciação e são:

1º Grau de iniciação – Almas
2º Grau de iniciação – Xangô
3º Grau de iniciação – Ogum
4º Grau de iniciação – Iansã
5º Grau de iniciação – Oxossi
6º Grau de iniciação – Iemanjá
7º Grau de iniciação – Oxalá

Reparem que os Sete Pontos ou Graus de iniciação confirmados no Primeiro Congresso Brasileira de Umbanda (1941) são as Sete Linhas da Umbanda apresentadas por Leal de Souza em 1925.
É neste primeiro congresso de umbanda que a Tenda Mirim apresenta um trabalho sugerindo que o nome da religião seria Aumbandã.
Em 1942 Lourenço Braga publica sua tese chamada “Umbanda e Quimbanda”, no qual apresenta o primeiro esquema formulado e pensado das sete linhas da umbanda com sete legiões para cada linha, também marca seu pioneirismo na apresentação da LINHA DO ORIENTE e das sete linhas da Quimbanda:

1) Linha de Santo ou de Oxalá – dirigida por Jesus Cristo
2) Linha de Iemanjá – dirigida por Virgem Maria
3) Linha do Oriente – dirigida por São João Batista
4) Linha de Oxossi – dirigida por São Sebastião
5) Linha de Xangô – dirigida por São Jerônimo
6) Linha de Ogum – dirigida por São Jorge
7) Linha Africana ou de São Cipriano – dirigida por São Cipriano

Em 1952 (após 44 anos do inicio da religião) o Primado de Umbanda, ente federativo que tem como seu Primaz o Senhor Benjamim Figueiredo, responsável pela Tenda Mirim apresenta sua doutrina e os Sete Seres Espirituais responsáveis pela luz espiritual emanada de Deus, o primeiro elo entre Deus e as outras hierarquias espirituais.
Em nosso sistema solar, os chamados Orixás Maiores regem as Sete Linhas da Umbanda:

1) Orixalá
2) Ogum
3) Oxossi
4) Xangô
5) Yori má (Iofá, Obaluaê)
6) Yori (Ibeji – Erês – Crianças)
7) Iemanjá

Em 1955 Lourenço Braga publica o livro “ UMBANDA E QUIMBANDA – VOLUME 2”, onde apresenta a seguinte distribuição, onde atribui a cada linha um Arcanjo como responsável e relaciona com os planetas:

1) Linha de Oxalá ou das almas – Jesus – Jupiter
2) Linha de Yemanjá ou das águas –Gabriel – Vênus
3) Linha do Oriente ou da Sabedoria – Rafael – Urano
4) Linha de Oxossi ou dos vegetais – Zadiel – Mercurio
5) Linha de Xangô ou dos minerais –Oriel – Saturno
6) Linha de Ogum ou das demandas – Samael – Marte
7) Linha dos Mistérios ou encantamentos – Anael – Saturno
Em 1956 W.W.Mata e Silva apresenta no livro “Umbanda de Todos Nós” as sete linhas da Umbanda:
1) Orixalá
2) Iemanjá
3) Yori (Crianças)
4) Xangô
5) Ogum
6) Oxossi
7) Yori má (Linha das Almas, Pretos Velhos)

Notamos que foi a partir da década de cinquenta que os estudiosos retiram das sete linhas a vibração de Iansã e substituem pela Yori (Crianças).
Em 1964 no livro “Okè Caboclo – Mensagens do Caboclo Mirim”, de Benjamim Figueiredo fundador da Tenda Mirim, os Orixás se dividem em menores e maiores, sendo estes últimos os regentes das sete linhas:

1) Oxalá (Inteligência)
2) Iemanjá (Amor)
3) Xangô Caô (Ciência)
4) Oxossi (Lógica)
5) Xangô Agodô (Justiça)
6) Ogum (Ação)
7) Iofá (Filosofia)

Em 2003, Rubens Saraceni, apresenta uma nova organização no livro “Sete Linhas da Umbanda – A Religião dos Mistérios”:

1) Oxalá – essência cristalina – fé
2) Oxum – essência mineral – amor
3) Oxossi – essência vegetal – conhecimento
4) Xangô – essência ígnea – justiça
5) Ogum – essência aérea – lei
6) Obaluaiê – essência telúrica – evolução
7) Iemanjá – essência aquática – geração/vida

2009 no livro “Manual Doutrinário, Ritualístico e Comportamental Umbandista”, Rubens Saraceni, traz a seguinte ordenação:

1) Oxalá
2) Ogum
3) Oxossi
4) Xangô
5) Oxum
6) Obá
7) Iansã
8) Oxumaré
9) Obaluaê
10) Ọmọlu
11) Nanã
12) Oiá Tempo
13) Egunitá
14) Exu
15) Pomba-Gira

Em 2010, Janaina Azevedo Corral, no livro “As Sete Linhas da Umbanda”, traz a seguinte apresentação:

1) Linha de oxalá
2) Linha das Águas
3) Linha dos Ancestrais (Yori e Yorimá)
4) Linha de Ogum
5) Linha de Oxossi
6) Linha de Xangô
7) Linha do Oriente
Além das codificações citadas acima, existem outras.
Estas codificações tentam explicar ou justificar como e porque, os espíritos se manifestam com determinadas características, porque possuem preferência por determinadas cores, nomes, regiões da natureza (praia, montanhas, matas, cemitérios etc....) e demais afinidades.
Todos estes escritores e pesquisadores umbandistas, inspirados por seus mentores, observaram, estudaram e de acordo com suas observações agruparam as entidades espirituais em linhas, que foram em determinadas épocas separadas em falanges, legiões etc.
Agora vamos conhecer como trabalhamos no Núcleo Mata Verde.



Núcleo Mata Verde

Seguimos uma doutrina chamada UMBANDA – OS SETE REINOS SAGRADOS, que resume os ensinamentos do Caboclo Mata Verde.
Seus conceitos são simples e racionais; podemos afirmar com toda certeza que simplicidade e racionalidade são as bases da doutrina.
Não vamos nos aprofundar nos detalhes dos fundamentos da doutrina, devido ao tamanho deste texto, mas recomendamos aos interessados o estudo a distância promovido pelo Núcleo Mata Verde no sitewww.mataverde.org/ead
Alguns princípios:

1) vivemos no planeta Terra e somos filhos do planeta.
2) Os Orixás primordiais participaram da formação e evolução do planeta, cada qual com sua responsabilidade. Muitos são os Orixás.
3). Para efeito de estudo dividimos a formação do planeta, nestes quase 5 bilhões de anos em fases, que chamamos de reinos.
4). Existem sete reinos com características bem definidas.
5). Cada reino tem suas características próprias, seus orixás regentes, suas vibrações e qualidades e sua cor conforme se apresenta na natureza.
6). Tudo o que existe no planeta possui em sua constituição estas sete vibrações primordiais. Este princípio, num segundo momento, pode ser estendido para todo o universo como uma lei universal.
7). Estas sete vibrações são de natureza material e espiritual.
8). As pessoas, as plantas, os animais, a matéria, os espíritos e tudo o que existe possuem as sete vibrações primordiais, mas podem possuir uma afinidade maior com algumas vibrações, o que acarreta a individualização de sua natureza.
9) A Lei da afinidade vibracional (Espiritual) é um ponto fundamental da doutrina dos sete reinos sagrados
10). É esta individualização que justifica a manifestação de espíritos em falanges, legiões ou linhas.
11) O processo evolutivo do planeta Terra apresentado na doutrina é o mesmo processo aceito pela ciência oficial.
Após estas considerações apresentamos abaixo os sete reinos sagrados:

1) Reino do Fogo – regido por Ogum (É o primeiro, aquele que abre os caminhos) – vermelho
2) Reino da Terra – regido por Xangô – marrom
3) Reino do Ar – regido por Iansã – amarelo
4) Reino da água – regido por Iemanjá – azul claro
5) Reino das matas – regido por Oxossi – verde
6) Reino da Humanidade – regido por Oxalá – branco
7) Reino das Almas – regido por Ọmọlu – preto

É interessante chamarmos a atenção para a semelhança existente entre os sete reinos e seus orixás regentes, com a primeira codificação apresentada por Leal de Souza.
Seria somente uma coincidência?
Lembramos que não podemos confundir reinos e suas vibrações com Orixás.
Trabalhamos com sete reinos, mas a doutrina não limita a quantidade de Orixás existentes.
Alguns Orixás possuem afinidades com um reino, outros com dois ou mais reinos e este o motivo de sua individualidade. Este conceito se aplica a todos os espíritos que se manifestam na umbanda.
Não interessa se o espírito se manifesta como uma criança, um adulto ou um velho; se é mulher ou homem; não interessa se é um baiano, boiadeiro, marinheiro, cigano, malandro, mendigo, semiromba, um falangeiro, um exu etc....
Não interessa se ele se apresenta como negro, branco, amarelo ou vermelho; ele sempre terá afinidades com um ou mais reinos e são estas características que trabalhamos no Núcleo Mata Verde.
Os espíritos podem trabalhar em mais de um reino, por exemplo, um OGUM SETE ONDAS, é um espírito que trabalha com o REINO DO FOGO (Ogum) e com REINO DA ÁGUA (Iemanjá).
Um OGUM MEGÊ é um espírito que trabalha com as vibrações do REINO DO FOGO (Ogum) e do REINO DAS ALMAS (Ọmọlu).
Não trabalhamos diretamente com o conceito de linhas, como mencionado acima, mas se fossemos apresentar os espíritos por linhas, seriam as seguintes:
1) Linha do Fogo – regida por Ogum
2) Linha da Terra – regida por Xangô
3) Linha do Ar – regida por Iansã
4) Linha da água – regida por Iemanjá
5) Linha das Matas – regida por Oxossi
6) Linha da Humanidade – regida por Oxalá
7) Linha das Almas – regida por Ọmọlu
São Vicente, 24/07/2011

Manoel Lopes – Dirigente do Núcleo Mata Verde
Bibliografia:

1) Umbanda Os Sete Reinos Sagrados – Manoel Lopes – Ícone Editora
2) Umbanda Um Século de História – Diamantino Fernandes Trindade – Ícone Editora
3) História da Umbanda – Alexandre Cumino – Madras Editora
4) Umbanda de Todos Nós – W. W. Matta e Silva
5) Curso Essencial de Umbanda – Ademir Barbosa Junior – Universo dos Livros
6) Curso EAD do Núcleo Mata Verde – www.mataverde.org/ead
Obs.: Divulgue à vontade este texto, somente não esqueça de citar a fonte
Visite RBU - Rede Brasileira de Umbanda em: http://www.rbu.com.br/?xg_source=msg_mes_network



segunda-feira, 19 de março de 2018

A Umbanda é uma religião nova, espiritualista e magista.


Baseia-se no culto às divindades e trabalhos espirituais, sem deixar de cultuar a Deus que para os umbandistas é o Princípio de todas as coisas.
Alguns acham que a Umbanda é multimilenar e que houve uma renovação nas suas práticas. Outros acham que é uma religião nova, cultuando os Orixás em sua concepção africana, tendo incorporado o espiritismo, a magia, o sincretismo e a simbologia.
A Ciência Divina diz que a Umbanda é uma religião nova, fundamentada no culto aos Orixás africanos, agora renovados e com novas feições divinas e humanas, aberta a todos, pois antes eram cultuados de forma fechada e só os iniciados podiam cultuá-los e reverenciá-los. Os Bàbálòrìşà, que detinham o poder mágico, eram os donos da religião e quando morriam, só um iniciado poderia substituí-los, mantendo os conhecimentos ocultos.
Com a vinda para o Brasil, esse conhecimento secreto começou a se perder ou a se misturar com o de outros povos (sincretismo).
A mesma divindade sustenta a fé de diferentes povos e culturas e por vontade superior, o resultado foi o aparecimento gradativo de uma nova religião fundamentada no culto às divindades naturais, mas de forma aberta a todos.
O que antes era propriedade dos Bàbálòrìşà, foi passando para pessoas dotadas de forte mediunidade que passaram a incorporar espíritos que impunham a seus médiuns, condições que achavam ideais para realizarem todo um trabalho espiritual em favor dos encarnados e surgiram práticas parecidas, pertencentes a religiões diferentes.
As tradições religiosas dos diversos povos, começaram a incorporar elementos pertencentes a outras tradições.
Esta mistura de tradições e o enfraquecimento consequente de todas, visava criar as condições para uma unificação religiosa sob o manto da
Umbanda, então os terreiros de uma determinada nação, passaram a evocar divindades pertencentes a outras nações.
Os pais de santo passaram a fazer seus filhos, que abriam seu próprio terreiro e desta forma foi se multiplicando a nova religião que visava alcançar o maior número de pessoas no menor espaço de tempo possível.
Este crescimento espantoso assoberbou muitos líderes umbandistas, impedindo a irmanação dos terreiros e a unidade religiosa que desse sustentação doutrinária à Umbanda para que ela ocupasse seu espaço na religião brasileira.
Há a necessidade de uma consciência religiosa e não de terreiro.
Por falta dessa consciência a Umbanda perdeu espaço para as seitas neo-cristãs.
A falta de uma Teologia, de uma doutrina única e de um acompanhamento dos novos dirigentes de Tendas de Umbanda, resultou em erros imensos e em condutas pessoais que não tinham nada a ver com o que era pregado pela espiritualidade e isso abriu espaço para que adversários religiosos emitissem críticas e acusações contra a Umbanda.
Muitas pessoas, ainda despreparadas, mal instruídas e até incapazes para a direção de um Templo, abriram suas tendas, criando a sua própria
Umbanda e deram vazão a seus emocionais desequilibrados e seus vícios religiosos, pois não aceitavam a condição de liderados e almejavam ser líderes, bajulados ou temidos. Então muitos abandonaram a Umbanda, depurando-a.
É uma questão de tempo, para que os atuais e remanescentes dirigentes da Umbanda, realizem um trabalho de base, de doutrinação de seus liderados, instruindo-os e ensinando-os a prepararem bons médiuns e bons dirigentes de tendas. E então, a Umbanda conquistará seu verdadeiro espaço religioso, pois o tipo de trabalho realizado por ela, só os verdadeiros umbandistas podem realizar, porque são os herdeiros naturais dos das energias superiores.
Mas, para que este trabalho seja realizado, todos os umbandistas devem falar uma só língua.

Colégio de Umbanda Sagrada Pai Benedito de Aruanda

terça-feira, 6 de março de 2018

Mensagem Caboclo Sete Encruzilhadas

Última incorporação no médium Zélio de Moraes, fundador de nossa querida Umbanda


Meus queridos irmãos, neste momento, vindo do espaço, permitam que neste estudo para amenizar sofrimentos dos que estão na Terra, encarcerados em seus corpos, estou satisfeito porque tem gente que é feliz, porque todos vocês vêm me ajudando na obra que tomei a missão, no espaço, de implantar, a Umbanda de humildade, amor, e caridade, aproveitei um jovem moço em meio daqueles senhores, velhos kardecistas.

Tomei a missão e vejo neste instante grandes representações, não estão todas porque por este Brasil a fora, criei Tendas de Umbanda construtivas, sadias, com moral e dando de graça o que de graça se recebe.
Do sul do país aos estados do Norte, ouviam a minha palavra, desenvolviam médiuns e fui criando tendas de grandes médiuns encontrei, grandes médiuns pude fazê-los, incorporei bem, trabalhei na caridade, tomando a direção de uma tenda, e assim foi se criando Tendas.

Meus irmãos, me satisfaz estar entre vocês porque naquele dia 15 de novembro na federação kardecista, eu anunciei a Tenda de Nossa Senhora da Piedade, do modo que a mãe tinha piedade de seu filho, que tivesse piedade desta humanidade.

Grandes coisas feitas na Tenda, grandes coisas eu pude fazer para aqueles que estavam com certeza, crentes que a Tenda não tinha vida para que no dia 2 (dois) eu anunciasse a eles, não, a Umbanda, Deus comigo, Deus conosco, do nosso lado, será a religião deste fim de século.

Meus irmãos, eu disse, vou levar daqui uma semente, vou plantar nas neves e aquela árvore ficará frondosa para dar a sombra para todos os seus filhos, a todos aqueles que precisarem de uma sombra amena, os que dizem sentirem o queimar do sol de crimes, de vícios, de paixões que se criavam, que existiam como existem ainda hoje no meio da humanidade.

A Tenda da Piedade foi criada e progrediu, faz hoje 64 anos da primeira comunicação aos meus irmãos.

Aqueles coronéis que me cercavam, estavam admirados de um menino fazer e dizer aquilo que eu dizia, aquilo que eu pregava e anunciava.

Pois bem, está formada a nossa Umbanda, com grande sacrifício, porque é preciso curar, é preciso levar aos médiuns, aqueles que se julgavam deserdados da sorte, a misericórdia de Deus, o conforto, para eles compreenderem que a palavra do espírito é a continuação nossa, que fazia a harmonia dos lares e curava os enfermos.

Chamei Pai Antônio, fui buscar Orixá Malê, para comigo trabalharem e criarem Tendas. Encontrei muitos descrentes. Aqui está o representante da Tenda São Jorge, talvez vocês não saibam como Severino, um grande médium que foi, como este médium se desenvolveu. Era descrente, Leal de Souza mãe de Geraldo Rocha foi pedir ao Orixá Malê para fazer um trabalho com pássaros na beira do rio Macau. Severino que não acreditava nem em Deus também foi meus irmãos, a vista de todos aqueles que nos cercavam, todos que estavam assistindo a sessão, alguns já estão mortos, não podem dar aqui sua palavra, mas eu estou dizendo que tem aqui quem falta.

Era um dia de sol, algumas nuvens corriam no espaço, Orixá Malê disse, vamos mandar aqueles pombos para outro lado do rio para que eles não se molhem, para voltar e continuar o nosso trabalho, Severino ria, não demorou poucos minutos e a chuva caiu molhando a todos nós que estávamos ali no rio, passada a chuva, Orixá Malê fez com eles voltassem e cruzassem o céu. Severino duvidava, como ele não acreditava em Deus, o Orixá Malê que era mais… pegou uma pedra redonda na margem do rio e deu com a pedra na testa de Severino e ele caiu dentro do rio, e Severino já saiu do rio incorporado com a entidade que ele trabalha até hoje.

Veem vocês que a luta foi grande para formar estas Tendas, tudo se faz, mas hoje estou satisfeito porque sinto no coração de vocês que os vossos corações estão unidos ao meu espírito para ir aos pés de Jesus pedir perdão, para que possamos ser seus alunos, seus inimigos que recebam de seus corações um perdão e também para aqueles que podem desejar o mal.

Acredito que o manto de Nossa Senhora, virá ao agasalho de todos vocês na Umbanda do humilde Caboclo das Sete Encruzilhadas.

Sempre fui pequenino e pequenino continuo, sou o mais humilde dos espíritos que baixa ao planeta, tenho dito, tenho escrito e continuo a ser satisfeito pela Umbanda, todo dia, de Estado a Estado, a Umbanda hoje é grande, porque em São Paulo que se criou 20 Tendas, em Santos, em Minas Gerais, na capital da República e no Rio, nossa Umbanda continua progredindo, como aquela que eu desejo, como aquela que é preciso encontrar, nesta casa, quando aqui estou trazendo ao coração daqueles que dirigem, que é a humildade, o amor que prática a caridade.

E venho encontrando e dando força aos dirigentes destas Tendas, e aos médiuns, para que esta Tenda possa sempre ser grande e ser o espelho das outras Tendas, porque meus irmãos, infelizmente, o nosso irmão Floriano que está ao meu lado sabe perfeitamente disto, só desejava encontrar de branco, com roupas de pouco custo, nada de seda, nada de cores que pudessem ficar triste ou conter a mortalha na vestimenta. A Umbanda de humildade, amor e caridade, é esta que se pratica em nossa Tenda, Tenda de Nossa Senhora da Piedade.

Meus irmãos, as outras Tendas nepotistas, podem fazer aquilo que bem desejarem, poderão fazer o que quiserem, mas eu posso garantir uma coisa, o meu aparelho nunca aceitou a vil moeda em troca de uma cura ou de um feito, porque a vil moeda só serve para atrapalhar o homem ou mulher que é médium. E vocês sabem perfeitamente que existem Tendas que aceitam. Nós temos uma choupana no mato, do Velho Pai Antônio, naquela época diversos cheque por cura foram dirigidos ao meu aparelho e eu dizia não pegue, e ele devolvia.

Por isso meus irmãos, que vocês possam fazer a caridade, possam receber de Deus sua misericórdia e que todo médium tome fazer o bem, curar com suas mãos, com sua reza, andando numa linha reta, numa consciência pura e limpa, e não reverter a vil moeda, enfim, olhar para o seu semelhante como se fosse um verdadeiro irmão, com este amor de irmão para irmão.

Como o menor espírito que baixa sobre a Terra eu saúdo a falange de caboclos que me cercam, que me cercaram quando iniciei. Temos aqui diversos caboclos de Ogum, de Xangô, que estão nas 7 linhas, mas deve dizer que o Caboclo das 7 encruzilhadas que é o meu espírito pertence a falange de Oxóssi, meu Pai. que Oxóssi possa tomar conta de vocês, que Oxóssi abençoe vocês neste momento, este pequenino espírito deseja a todos presentes proteção, os corpos todos cheios de fluidos benéficos para amenizar os males, eu quero que tenha neste momento a proteção da falange de Oxóssi e as outras linhas que aqui estão presentes, para levar harmonia aos vossos lares, harmonia aos vossos corações, talvez possam gozar a vida conforme o Pai vem falando a seus filhos, dentro daquela humildade, dentro do amor de irmão para irmão e praticando a caridade.

Lembre-se, que seja descende o menor espírito entre todos, humilde Caboclo das Sete Encruzilhadas. Ressalvo homenagem à Tupinambá e a outros espíritos, 7 Flechas, Caboclo Roxo, enfim a quantidade de espíritos de Oxóssi, de Ogun, de Xangô que estão presentes. Eu solicito a vocês todos que estão na matéria, para que estes espíritos comigo possam carregar o que há de ruim invadindo, sacudindo as vossas casas de alguma coisa que possa estar por lá, para que vocês tenham dias melhores, para que os filhos tenham mais saúde e paz para praticar a verdadeira Umbanda do humilde.

Que a paz neste momento baixe a que se ergam para todos os passos da luz e repasse para todos vocês debaixo do manto de Nossa Senhora da Piedade.

- Está tudo bonito, está tudo belo e formoso não é isto?
- Ô Floriano, como é que você vai, você está bom meu filho?
- Sua bênção, eu estou bem, meu senhor, talvez melhor do que aquilo que eu mereça.
- Não deixa de levar umas pedradinhas não é meu filho?
- Muito contente de estar aqui comungando com esta vibração sublime, com este trabalho maravilhoso que vocês da espiritualidade trazem até esta terra para ajudarem também a carregar esta cruz.
- É preciso todo mundo compreender que deste mundo nada se leva, só as boas ações.
- Infelizmente, nós, espíritos encarnados ainda somos imbuídos de muito egoísmo e muita animalidade, por isso queremos sempre a posse de tudo, desde as coisas mais insignificantes, até as coisas realmente mais valorosas, esquecendo-nos que realmente nada que temos que cultivar, isto que o senhor ensina, misericórdia, amor paz compreensão, piedade como é também o nome deste símbolo maravilhoso de Nossa Senhora, que o Senhor, Caboclo das 7 Encruzilhadas escolheu para batizar o templo de caridade que forma naturalmente uma plêiade de templos, que vieram a seu tempo por indicação do Astral superior enriquecer a terra de Santa Cruz, para trazer auxílio a esta comunidade, o conhecimento das coisas espirituais e ajudar por outro lado ao mais pobre e mais humilde a carregarem as suas cruzes com mais entusiasmo, com mais força, para que assim a Umbanda e o seu Caboclo das 7 Encruzilhadas, viessem inaugurar no Rio de Janeiro e se expandir.

Por isto nós estamos aqui comungando com os 64 anos desta vida laboriosa, desta vida intensa e de muita renúncia para o seu aparelho, que é naturalmente o espelho no qual todos nós, filhos ou não da Umbanda, que queremos progredir, devemos nos espelhar, porque em realidade se não houver renúncia de nossa parte não podemos concluir nada de bom. Além do mais a mediunidade, o intercâmbio entre o mundo espiritual e o material, reserva para cada um de seus trabalhadores um caminho, que embora cheio de luzes, mas uma hora esplendorosa aos termos da caridade.

Segundo nos ensinam você, espíritos de Caboclos e Pretos Velhos, o trabalho de médium corresponde exatamente a uma tarefa nobilitante e que ele aceitou, com maiores possibilidades ele poderá alcançar o caminho da glória e regenerando-se poderá descontar as faltas, as falhas e porque não dizer também os crimes de encarnações passadas.

- Assim foi feita a nossa Umbanda no Brasil. Passaram-se os anos e tudo aquilo que eu disse, apelando para quem está presente, de muitos anos que me acompanha, falando, pedindo e fazendo exemplos de Jesus aqui na Terra, quando ia da Palestina para a Galileia, foram ao seu encalço pedir harmonia para sua casa; a resposta foi esta:

“- Você feche os olhos para a casa de seus vizinhos, feche a boca para não se virar contra quem quer que seja, não julgue para não ser julgado, pense em Deus que a paz encontrará sua casa. “

Faça do Evangelho e tomando por ensinamento as minhas palavras a nossa Tenda começou a seguir o seu ritmo, aquele que eu desejava.

A religião, seja ela qual for, desde que tenha por base acreditar em Deus, acredito que seja uma boa religião, desejar a teu próximo o que deseja para ti, cumpre os mandamentos das leis de Deus é ser perfeito e principalmente, em qualquer religião, mas principalmente na religião espírita, para que o médium seja o instrumento que possa ser tocado por qualquer professor de música, por isso meus irmãos, criei 7 Tendas.

Os mais humildes tragam amor no coração, mas amor de irmão para irmão, porque as vossas mediunidades ficarão muito mais limpas e puras, dignas de qualquer espírito superior que possa baixar, que os vossos aparelhos estejam sempre limpos, que os vossos instrumentos estejam sempre afinados com as virtudes que Jesus pregou na Terra, para que tenhamos boas comunicações, boas proteções, para que todos aqueles que correm em busca de socorro nas nossas casas de Umbanda, nas nossas casas de caridade em todo o Brasil.

E todos estes, a maior parte de todos estes que trabalham em Umbanda, se não passaram por nossa Tenda, passaram por filhos saídos desta Tenda e que criaram outros terreiros.

Das 7 Tendas criadas por mim no Distrito Federal, muitas tem saído para fazer a caridade aos seus semelhantes, a nos seguir.

A lembrança de Jesus veio ao planeta Terra, na humilde manjedoura, não foi por acaso, não foi porque o Pai assim o quis, determinou, porque podia ter procurado uma casa de um potentado daquela época, mas não, foi escolher aquela que seria a mãe de Jesus, o espírito que vinha traçar a humildade, os seus passos, para ter paz, saúde e felicidade.

Aproveitando o nascimento de Jesus, a humildade que ele baixou neste planeta, numa humildade manjedoura, o Anjo que anunciou a Maria que ela ia ser mãe sem ser esposa, que a estrela que iluminou aquele estábulo, que levou os três reis magos a sua presença, vinde até vocês iluminando os vossos espíritos, tirando os escuros de maldade, por pensamentos, por práticas e ações que tinham sido pensadas ou praticadas, que Deus perdoe tudo aquilo que vocês tenham feito, que Deus perdoe as maldade que possam ter sido pensadas, para que a paz possa reinar nos vossos corações e nos vossos lares.

Eu meus irmãos, como menor espírito que baixou na Terra, mas amigo de todos, numa concentração perfeita dos espíritos que me rodeiam neste momento, peço que eles sintam as necessidades de cada um de voz e que ao sairdes deste templo de caridade, que encontreis os caminhos abertos, os vossos enfermos melhores e curados e saúde para sempre nas vossas matérias.

Com paz, saúde e felicidade, com humildade, amor e caridade, sou e serei sempre o humilde Caboclo da 7 Encruzilhadas

segunda-feira, 5 de março de 2018

A HISTÓRIA OFICIAL DA FUNDAÇÃO DA UMBANDA




Escrever sobre Umbanda sem citarmos Zélio Fernandino de Moraes é praticamente impossível. Eles, assim como Allan Kardec, foram os intermediários escolhidos pelos espíritos para divulgar a religião aos homens. Zélio Fernandino de Moraes nasceu no dia 10 de abril de 1891, no distrito de Neves, município de São Gonçalo - Rio de Janeiro. Aos dezessete anos, quando estava se preparando para servir as Forças Armadas através da Marinha, aconteceu um fato curioso: começou a falar em tom manso e com um sotaque diferente da sua região, parecendo um senhor com bastante idade.
A princípio, a família achou que houvesse algum distúrbio mental e o encaminhou ao seu tio, Dr. Epaminondas de Moraes, Diretor do Hospício de Vargem. Após alguns dias de observação e não encontrando os seus sintomas em nenhuma literatura médica, sugeriu à família que o encaminhassem a um padre para que fosse feito um ritual de exorcismo, pois desconfiava que seu sobrinho estivesse possuído pelo demônio. Procuraram, então, também um padre da família que após fazer ritual de exorcismo não conseguiu nenhum resultado.
Tempos depois Zélio foi acometido por uma estranha paralisia, para o qual os médicos não conseguiram encontrar a cura. Passado algum tempo, num ato surpreendente Zélio ergueu-se do seu leito e declarou: "Amanhã estarei curado". No dia seguinte começou a andar como se nada tivesse acontecido. Nenhum médico soube explicar como se deu a sua recuperação. Sua mãe, D. Leonor de Moraes, levou Zélio a uma curandeira chamada D. Cândida, figura conhecida na região onde morava e que incorporava o espírito de um preto velho chamado Tio Antônio.
Tio Antônio recebeu o rapaz e fazendo as suas rezas lhe disse que possuía o fenômeno da mediunidade e deveria trabalhar com a caridade. O Pai de Zélio de Moraes, Sr. Joaquim Fernandino Costa, apesar de não frequentar nenhum centro espírita, já era um adepto do espiritismo, praticante do hábito da leitura de literatura espírita. No dia 15 de novembro de 1908, por sugestão de um amigo de seu pai, Zélio foi levado a Federação Espírita de Niterói. Chegando na Federação e convidados por José de Souza, dirigente daquela Instituição, sentaram-se à mesa. Logo em seguida, contrariando as normas do culto realizado, Zélio levantou-se e disse que ali faltava uma flor. Foi até o jardim apanhou uma rosa branca e colocou-a no centro da mesa onde realizava-se o trabalho.
Tendo-se iniciado uma estranha confusão no local, ele incorporou um espírito e simultaneamente diversos médiuns presentes apresentaram incorporações de caboclos e pretos velhos. Advertidos pelo dirigente do trabalho, a entidade incorporada no rapaz perguntou:
" Por que repelem a presença dos citados espíritos, se nem sequer se dignaram a ouvir suas mensagens? Seria por causa de suas origens sociais e da cor?"
Após um vidente ver a luz que o espírito irradiava perguntou:
" Por que o irmão fala nestes termos, pretendendo que a direção aceite a manifestação de espíritos que, pelo grau de cultura que tiveram quando encarnados, são claramente atrasados? Por que fala deste modo, se estou vendo que me dirijo neste momento a um jesuíta e a sua veste branca reflete uma aura de luz? E qual o seu nome meu irmão?"
Ele responde:
Se julgam atrasados os espíritos de pretos e índios, devo dizer que amanhã estarei na casa deste aparelho, para dar início a um culto em que estes pretos e índios poderão dar sua mensagem e, assim, cumprir a missão que o plano espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados. E se querem saber meu nome que seja este: Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque não haverá caminhos fechados para mim." 
O vidente ainda pergunta:
" Julga o irmão que alguém irá assistir a seu culto?"
Novamente ele responde;
Colocarei uma condessa em cada colina que atuará como porta-voz, anunciando o culto que amanhã iniciarei." 
Depois de algum tempo todos ficaram sabendo que o jesuíta que o médium verificou pelos resquícios de sua veste no espírito, em sua última encarnação foi o Padre Gabriel Malagrida.
No dia 16 de novembro de 1908, na rua Floriano Peixoto, 30 · Neves · São Gonçalo · RJ, aproximando-se das 20:00 horas, estavam presentes os membros da Federação Espírita, parentes, amigos e vizinhos e do lado de fora uma multidão de desconhecidos. Pontualmente às 20:00 horas o Caboclo das Sete Encruzilhadas desceu e usando as seguintes palavras iniciou o culto:
Aqui inicia-se um novo culto em que os espíritos de pretos velhos africanos, que haviam sido escravos e que desencarnaram não encontram campo de ação nos remanescentes das seitas negras, já deturpadas e dirigidas quase que exclusivamente para os trabalhos de feitiçaria, e os índios nativos da nossa terra, poderão trabalhar em benefícios dos seus irmãos encarnados, qualquer que seja a cor, raça, credo ou posição social. A prática da caridade no sentido do amor fraterno será a característica principal deste culto, que tem base no Evangelho de Jesus e como mestre supremo Cristo". 
Após estabelecer as normas que seriam utilizadas no culto e com sessões diárias das 20:00 às 22:00 horas, determinou que os participantes deveriam estar vestidos de branco e o atendimento a todos seria gratuito. Disse também que estava nascendo uma nova religião e que chamaria Umbanda. O grupo que acabara de ser fundado recebeu o nome de Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade e o Caboclo das Sete Encruzilhadas disse as seguintes palavras:
Assim como Maria acolhe em seus braços o filho, a tenda acolherá aos que a ela recorrerem as horas de aflição; todas as entidades serão ouvidas, e nós aprenderemos com aqueles espíritos que souberem mais e ensinaremos aqueles que souberem menos e a nenhum viraremos as costas e nem diremos não, pois esta é a vontade do Pai". 
Ainda respondeu perguntas de sacerdotes que ali se encontravam em latim e alemão. Caboclo foi atender um paralítico, fazendo este ficar curado. Passou a atender outras pessoas que havia neste local, praticando suas curas. Nesse mesmo dia incorporou um preto velho chamado Pai Antônio, aquele que, com fala mansa, foi confundido como loucura de seu aparelho e com palavras de muita sabedoria e humildade e com timidez aparente, recusava-se a sentar-se junto com os presentes à mesa dizendo as seguintes palavras: "- Engo num senta não meu sinhô, nêgo fica aqui mesmo. Isso é coisa de sinhô branco e nêgo deve arrespeitá".
Após insistência dos presentes fala:
Num carece preocupá não. Nêgo fica no toco que é lugá di nêgo". 
Assim, continuou dizendo outras palavras representando a sua humildade. Uma pessoa na reunião pergunta se ele sentia falta de alguma coisa que tinha deixado na terra e ele responde:
Minha caximba, nêgo qué o pito que deixou no toco. Manda mureque buscá". 
Tal afirmativa deixou os presentes perplexos, os quais estavam presenciando a solicitação do primeiro elemento de trabalho para esta religião. Foi Pai Antônio também a primeira entidade a solicitar uma guia, até hoje usadas pelos membros da Tenda e carinhosamente chamada de “Guia de Pai Antônio".
No outro dia formou-se verdadeira romaria em frente à casa da família Moraes. Cegos, paralíticos e médiuns que eram dados como loucos foram curados. A partir destes fatos fundou-se a Corrente Astral de Umbanda. Após algum tempo manifestou-se um espírito com o nome de Orixá Malé, este responsável por desmanchar trabalhos de baixa magia, espírito que, quando em demanda era agitado e sábio destruindo as energias maléficas dos que lhe procuravam.
Dez anos depois, em 1918, o Caboclo das Sete Encruzilhadas, recebendo ordens do astral, fundou sete tendas para a propagação da Umbanda, sendo elas as seguintes:
Tenda Espírita Nossa Senhora da Guia
Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição
Tenda Espírita Santa Bárbara
Tenda Espírita São Pedro
Tenda Espírita Oxalá
Tenda Espírita São Jorge
Tenda Espírita São Jerônimo

As sete linhas que foram ditadas para a formação da Umbanda são: Oxalá, Iemanjá, Ogum, Iansã, Xangô, Oxóssi e Exu. Enquanto Zélio estava encarnado, foram fundadas mais de 10.000 tendas a partir das acima mencionadas. Zélio nunca usou como profissão a mediunidade, sempre trabalhou para sustentar sua família e muitas vezes manter os templos que o Caboclo fundou, além das pessoas que se hospedavam em sua casa para os tratamentos espirituais, que segundo o que dizem parecia um albergue. Nunca aceitar a ajuda monetária de ninguém era ordem do seu guia chefe, apesar de inúmeras vezes isto ser oferecido a ele. O ritual sempre foi simples.
Nunca foi permitido sacrifícios de animais. Não utilizavam atabaques ou qualquer outros objetos e adereços. Os atabaques começaram a ser usados com o passar do tempo por algumas das Tendas fundadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, mas a Tenda Nossa Senhora da Piedade não utiliza em seu ritual até hoje. As guias usadas eram apenas as determinadas pelas entidades que se manifestavam. A preparação dos médiuns era feita através de banhos de ervas e do ritual do amaci, isto é, a lavagem de cabeça onde os filhos de Umbanda fazem a ligação com a vibração dos seus guias.

Após 55 anos de atividade, entregou a direção dos trabalhos da Tenda Nossa Senhora da Piedade a suas filhas Zélia e Zilméia, as quais até hoje os dirigem.

Mais tarde, junto com sua esposa Maria Isabel de Moraes, médium ativa da Tenda e aparelho do Caboclo Roxo, fundaram a Cabana de Pai Antônio no distrito de Boca do Mato, Cachoeira do Macacu · RJ. Eles dirigiram os trabalhos enquanto a saúde de Zélio permitiu. Faleceu aos 84 anos, no dia 03 de outubro de 1975.
Dia 16 de setembro de 2010, faleceu Dona Zilméia de Moraes, a única dos quatro filhos de Zélio de Moraes, fundador da Umbanda, que ainda estava encarnada.

Blog: Sociedade dos Espíritos